Com o passar dos
anos (e a idade meus amigos... a idade) aprendi a dar ao passado o seu justo
valor enquanto parte do caminho e base fundadora do presente, sem cair na
asneira de ficar agarrada a ele (ou às coisas boas dele) e deixar que o
presente e futuro me passassem ao lado.
Honestamente, nos
dias que correm, estou mais preocupada com o presente e olho mais para o futuro do que penso no passado mas
confesso que na semana passada tive um momento de nostalgia, dos tais que são
raros.
Fui ao 13º
aniversário do Lux (o que já de si é uma ocasião propícia a uma viagem pela
memória) e calhou ser exactamente na mesma data de uma noite que, há alguns
anos e no mesmo sítio, mudou a minha vida.
Não vale a pena
perder tempo e caracteres a explicar o que aconteceu exactamente nessa noite
porque foi daqueles momentos que nos dizem tanto que pouco conseguimos dizer
deles mas nessa noite descobri alguém que dali em diante me fez ver muita coisa
com um par de olhos novo e que ao fim deste tempo todo continua a ser uma das
pessoas mais importantes para mim. Mas fiquemos por aqui que isto já começa a
resvalar para a lamechice.
Pormenores à
parte, o que é facto é que dei por mim a pensar na quantidade de coisas da minha
vida que passaram pelo Lux.
Não vou lá há 13
anos mas, seguramente, 11 anos da minha história são partilhados com a daquele
sítio e não, não me faz sentir nada velha, pelo contrário.
Ali ri, discuti,
fiz as pazes, fiz amigos para a vida, amigos por uma noite, ouvi da melhor
música que já conheci, assisti aos piores concertos que vi até hoje,
apaixonei-me, andei nas nuvens, deliciei-me com a quantidade de homens que
afinal ficam incrivelmente atraentes de saia nas festas das saias, fiz figuras
embaraçosas, perdi a razão, perdi o tino, ganhei juízo, vesti-me de bailarina
de can-can para a festa dos fetiches, chorei baba e ranho, desiludi-me, inspirei-me
na rainha de copas para a festa da Alice, senti a adrenalina a correr nas
veias, caí no quinto dos infernos,
fiquei deprimida, comi das melhores tostas mistas de Lisboa às 3 da
manhã, bebi, diverti-me a ver os outros beberem, apaixonei-me outra vez, presenciei
amanheceres memoráveis e pores do sol mágicos, senti-me pequenina e insegura,
senti-me uma rainha e dancei. Dancei como se não houvesse amanhã e como se a
minha vida dependesse disso.
Se se fizer o exercício de multiplicar isto
que acabei de referir por todos os que já por ali passaram, e que de alguma
maneira se identificam com o que disse, o resultado é estonteante.
Não há muitos
sítios assim, tenho a certeza. E ainda bem.
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